Apresentação

Nos últimos anos, os Megaeventos – especialmente Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas e Exposições Internacionais - têm acionado capitais de todos os tipos, reconfigurado escalas, territórios e produzido novas retóricas acerca de urbanidade e de cidades globais, que proclamam a convergência entre interesses públicos e privados. Sustentado no discurso da dinâmica competitiva dos fluxos globais de investimento e da conseqüente dinamização das economias locais, o modelo de cidade global opera como ideia regente para os que concebem e implementam as intervenções urbanas. Já as formas de resistência a este modelo de cidade são sistematicamente silenciadas, tanto pela hegemonia dos grupos dominantes no campo simbólico, quanto pela força.

Desde a I Conferência Internacional Megaeventos e a Cidade, realizada em novembro de 2010 no Rio de Janeiro, movimentos de resistências se colocaram na arena pública e houve considerável crescimento da produção do conhecimento sobre o tema por geógrafos, arquitetos e urbanistas, sociólogos, planejadores, cientistas políticos, antropólogos e outros profissionais. Em diferentes encontros internacionais de natureza profissional e disciplinar - International Sociological Association (ISA), Association of American Geographers (AAG), Latin American Studies Association (LASA), Associação Nacional de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR), entre outros - a questão tem ocupado destaque cada vez maior nas discussões. Trata-se, agora, de reunir, sistematizar, confrontar e socializar, na comunidade científica e na sociedade civil, o conhecimento acumulado. A II Conferência Internacional Megaeventos e a Cidade tem por objetivos, de um lado, consolidar este sub-campo singular dos estudos urbanos e, de outro lado, propiciar o encontro e o diálogo entre pesquisadores, professores, estudantes, profissionais e técnicos de organizações governamentais e privadas, bem como ativistas de movimentos de direitos humanos, de diversas partes do mundo, engajados no estudo, planejamento e promoção de megaeventos, mas também nos conflitos deles decorrentes.