A Cidade Maravilhosa e as disputas simbólicas atores, instrumentos e gramáticas territoriais

Português, Brasil
O presente artigo tem como objeto a chamada Cidade Maravilhosa e as disputas simbólicas em torno ao projeto de cidade para os megaeventos Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos Rio 2016. Nesse sentido, o trabalho procura desafiar a aparente integração simbólica da política-espetáculo rumo aos Jogos, problematizando suas fissuras, contradições e promessas, que ficaram ainda mais explícitas sobretudo a partir das chamadas Jornadas de Junho de 2013. A hipótese desenvolvida está centrada na ideia de que os conflitos urbanos e as disputas simbólicas, na atual cena urbana carioca, geram uma gramática territorial nova. Essa gramática compreende ações combinadas e reconhecíveis nos territórios, diferentes práticas e expressões das resistências, cujos sujeitos constroem relações simbólicas e territoriais com o atual projeto de cidade, com escolhas locacionais, uso de instrumentos comunicacionais e modos de interação inovadores nos espaços públicos, acionamento de contrapontos relacionados às imagens oficiais dos lugares, subversão de sentidos tradicionais atribuídos aos lugares urbanos e edifícios emblemáticos, busca dos holofotes das grandes mídias pela cuidadosa inscrição territorial dos conflitos, para dar-lhes centralidade na luta pelos direitos urbanos. Hoje, de fato, a imagem da Cidade Maravilhosa está desafiada por uma conjuntura que desconstrói representações e estereótipos, até mesmo aqueles que pareciam cristalizados. Há uma reinvenção da política na cena urbana. Ruas, avenidas e espaços públicos são tomados pelos cidadãos, que reconfiguram a gramática territorial da Cidade Olímpica, mostrando que a “cidade maravilhosa” é mais que uma síntese de cartão postal, também pode ser a cidade que luta.
Sessão: 
Plenária