Espetáculo e distopia: natureza e tensões do urbanismo olímpico contemporâneo

Português, Brasil
As concepções urbanísticas que nortearam as duas últimas olimpíadas (2008 e 2012) expressam os dois pólos opostos na balança contemporânea do olimpismo. Esta oscila entre um modelo agressivo de remoções, com elevados gastos e intervenções radicais no espaço urbano e um outro, mais ameno, relativamente permeável ao diálogo e que proclama um suposto legado socioambiental. Pequim (2008) promoveu violentas remoções e erigiu edifícios emblemáticos e sofisticados, visando consolidar a imagem da nova potencia mundial. Concebido em um contexto de gestão urbana de esquerda, o projeto de Londres (2012) foi focado principalmente na regeneração urbana de uma antiga área industrial (um “brownfield” em Stratford) e na efetiva melhoria do sistema metropolitano de transportes públicos, removendo um contingente ínfimo de moradores. Por outro lado, construído em um governo local de orientação neoliberal, e fortemente influenciado pelo neodesenvolvimentismo brasileiro, o projeto olímpico Rio de Janeiro (2016) se assemelha muito mais ao de Pequim 2008: orçamento elevado, despejos violentos e monumentalidade extravagante. E com muito maior mobilização e resistência popular do que em Londres e Pequim. A partir dos três eventos, propomos alguns pontos de reflexão em torno das tensões e feições do modo de produção espetacular das cidades que representa o urbanismo olímpico de nossos dias: contrapondo à pauta de reivindicações da sociedade civil organizada, estes eventos tendem a apresentar um cenário que ousamos definir como distópico: formação de enclaves absolutamente vigiados e imposição de normas globais de apropriação dos espaços, ferindo direitos locais de moradia e formas de sobrevivência, sobretudo das camadas populares.
Sessão: 
Plenária